Falhas em piscinões viram berçário para pernilongos, diz estudo da USP
Faculdade de Saúde Pública colheu 8 mil mosquitos em dois reservatórios.
Poças de água suja causadas por depressões servem de criadouro.
Roney Domingos Do G1 SP
de pernilongos em SP (Foto: Roney Domingos/ G1)
O assunto foi tema de um debate realizado na semana passada no Instituto de Engenharia de São Paulo. O professor Paulo Roberto Urbinati, mestre pelo Departamento de Saúde Ambiental e doutor pelo Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, explicou aos técnicos de que forma essas falhas podem ser tratadas para evitar a proliferação dos pernilongos. "Muitos deles nem se davam conta de que poderia haver criadouros. Como há projeto para construção de 131 piscinões devemos apresentar medidas mitigatórias", afirmou.
Urbinatti foi orientador da dissertação produzida em 2008 pela hoje mestre em saúde pública Edna de Cássia Silvério. Ela coletou e catalogou com critério científico 8 mil pernilongos em dois piscinões da Zona Leste, o Inhumas e o Caguaçu, e acredita que o número poderia ser muito maior caso a coleta fosse livre.
"Como os piscinões acabam recebendo água altamente poluída e material orgânico, eles acabam sendo criadouro de mosquitos", disse Edna. "No trabalho chegamos a algumas conclusões: o concretado propicia maior desenvolvimento dessa espécie de mosquito, porque a água não escoa totalmente. Uma outra questão que nós levantamos é que quando se faz a manutenção se utilizam máquinas pesadas. A máquina danifica o piso de concreto e forma uma depressão. A larva fica parada naquele local. Por mais que tenha feito a limpeza desse piscinão, a maneira de fazer essa limpeza deve ser mais adequada", afirmou. Em piscinões não concretados, as marcas de máquinas e a vegetação abundante ajudam na proliferação.
se fosse no litoral (Foto: Roney Domingos/ G1 )
telas em janelas (Foto: Roney Domingos/ G1 )
Inhumas
Apesar do tempo seco e de o piscinão Inhumas estar limpo, é possível encontrar poças de água na parte mais baixa do reservatório. Também é possível perceber que as valetas da drenagem do terreno acumulam água suja. O comerciante Fernando Oliveira, que trabalha na Rua Santana do Riacho, acima do piscinão, afirma que colocou telas de proteção em sua casa para evitar a presença dos insetos. "Mandei por tela na janela. Quando está calor o incômodo é maior", afirmou. De acordo com ele, o piscinão resolve rapidamente as enchentes e tem sido limpo com frequência, mas sempre fica um pouco de água. "O piscinão ajudou bastante o pessoal lá de baixo", afirma.
Também moradora do Jardim Nova Iorque, Simone Silva compara a presença de pernilongos em sua casa à que encontra no litoral durante o verão. "No calor incomoda um pouco. A gente usa repelente e tomadinha. É como se fosse no litoral", afirma.
A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras informou por meio de nota que não tinha conhecimento do estudo e esclarece que os piscinões Inhumas e Caguaçu, na Zona Leste, recebem limpezas rotineiras. "Os dois piscinões estão com sua capacidade total livre para o armazenamento de água das chuvas. Os piscinões são construídos para acumular o excesso de água das chuvas, e não apresentam falhas de construção. Em alguns casos, podem apresentar pequenas depressões de terreno, que acumulam pequenas poças d'água, mas as equipes da Subprefeitura de São Mateus atuam para aterrar essas pequenas depressões, evitando a possibilidade de proliferação de mosquitos."
FONTE: G1
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